O rock’n’roll está morrendo

Na semana passada, perdemos um mito do blues, B.B. King. Com ele, lá se vai mais uma parte da alma do rock’n’roll, já tão surrada nos tempos modernos. Sim, ouso dizer que o rock realmente está morrendo.

Pense em todos os grandes músicos do blues, do punk, do heavy metal, do rock’n’roll propriamente dito, do rock nacional… A maioria está morta ou tem mais de 60 anos. Pois é, caros amigos, a carne tem prazo de validade, e décadas de abuso de álcool e drogas a diminuem ainda mais. Quantas dessas lendas ainda vão estar na estrada nos próximos dez anos? Será que daqui a 15 anos teremos a oportunidade de ver um show do AC/DC, do Ozzy Osbourne ou do KISS? Provavelmente não.

OK, podem dizer que é o ciclo de renovação da vida, que morrem uns e nascem outros, que tudo muda e a música não é diferente, apenas agrega novas influências. Será mesmo? Acho que não.

Tente listar 10 bandas fundadas depois de 1990 que tenham riffs trabalhados como os do Metallica ou do Judas Priest, só para citar dois exemplos. E as viradas de bateria do John Bonham, do Led Zeppelin? E as letras de Bruce Dickinson, do Iron Maiden?? E o timbre do mestre Dio??? Os efeitos sonoros do Pink Floyd???? Não, não rola. Não rola MESMO.

E sabem por quê? Por que não é só o rock que está morrendo. A boa música está morrendo.

Vamos às provas. Você gosta de rock? Então pegue a música Knockin’ on Heaven’s Door. Compare a gravação original do Bob Dylan com a versão feita pelo Guns’n Roses, e finalmente com a da “roqueira” Avril Lavigne. A versão do Guns ainda é muito boa, mas já é musicalmente empobrecida. A outra… bom, deixa pra lá.

Ou talvez você aprecie a música sertaneja. Muito bem. Começamos na década de 30, com as modas de viola ao pé da fogueira, depois vieram os gênios Tonico e Tinoco, Renato Teixeira e Almir Sater. Nos anos noventa algumas duplas resolveram que vendia mais se transformassem o sertanejo tradicional em romântico e a coisa já complicou. Como tudo que está ruim pode piorar, nos anos 2000 veio o “sertanejo” universitário e o tal do arrocha. Sim, entre aspas: procure um violeiro e fale de sertanejo universitário – mas depois corra bastante pra não apanhar.

Junte 100 jovens na faixa dos 12 aos 18 anos e pergunte o que eles ouvem. Se você fizer a pesquisa no estado de São Paulo, pelo menos uns 70 vão responder funk e/ou sertanejo universitário. MPB? É música de velho. Rock? De drogado. Clássica? Muito chata. Blues, soul, jazz??? Ihh, conheço não, moço.

Pois bem, como é que quem não sabe distinguir entre uma música bem feita e uma letra pornográfica misturada com uma melodia sofrível vai fazer música? Não vai (aliás, queira Deus que não faça, seria atentado violento ao pudor).

Talvez se houvesse educação musical nas escolas e as crianças aprendessem desde cedo quanta técnica está envolvida na arte de fazer música, as coisas melhorassem a longo prazo. Mas como esperar esse tipo de iniciativa de um governo que não é capaz nem de garantir que os alunos aprendam a escrever direito?

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