Por que #meuamigosecreto incomoda tanto?

Essa semana começou uma nova campanha nas redes sociais. Caso você tenha tido a sorte de estar em um mochilão pela Ásia (que inveja!!!) e não tenha acompanhado, vou resumir aqui.

A hashtag #meuamigosecreto está sendo usada para compartilhar casos de abuso, agressão e machismo velado, referindo-se principalmente a homens que pagam de bons moços mas cujas atitudes não refletem seu discurso. Algumas pessoas também estenderam seu uso para denunciar casos de racismo e homofobia.

Na minha humilde opinião, achei essa ironia simplesmente genial. Afinal, nada como Natal, Ano Novo e os habituais amigos-secretos para concentrar toda a hipocrisia que é destilada diariamente nas redes sociais. Perfeito.

Como era de se prever, já tem gente incomodada. Muita gente, aliás. Muito mais do que no último protesto do gênero, a #meuprimeiroassédio. Mas por quê?

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“Somos tão jovens…”

Uma menina me ensinou
Quase tudo o que eu sei
Era quase escravidão,
Mas ela me tratava como um rei…

(Renato Russo)

Poucas escravidões são mais cruéis do que as dos sonhos alheios, das rotinas sufocantes, do “isso é melhor pra você”, do “é pro seu bem”.

Quando foi que você parou de sonhar? Quando abandonou seus projetos para alimentar os desejos dos outros? Parafraseando Cecília Meireles: em que espelho ficou perdida a sua face?

Nunca é tarde pra voltar pela contramão e mudar de rumo. E vou te dizer uma coisa: o prazer de sentir de novo o vento no rosto é inexplicável, e a única coisa em que você consegue pensar é por que diabos não chutou o balde antes.

Não é tarde demais. “Temos todo o tempo do mundo”…

Sobre (des)apego e outras coisas

Esses dias li um texto que dizia que “desapego é questão de hábito”. Mas o que fazer quando parece que você é uma pessoa geneticamente programada a se apegar a tudo o que entra na sua vida?

Como boa adolescente ingênua, eu sonhava com casamento de véu e grinalda e uma casa com piscina, filhos e cachorro, no melhor estilo comercial de margarina. Só que depois de sucessivos tapas na cara da vida real, comecei a pensar que relacionamentos só servem para criar laços que impreterivelmente terão que ser desatados um dia. Normalmente de maneira longa, arrastada e dolorosa para ambas as partes.

Pessoas que têm mania de se doar demais e dar o sangue para fazer funcionar algo que está destinado a não fazer sentido acabam se perdendo totalmente no meio do caminho. E pode ser que de tanto dar, no fim não sobre nada para si além de uma casca oca e vazia.

Talvez o caminho para conseguir estar com alguém sem deixar de estar consigo mesma seja apegar-se desapegando, destinando ao outro apenas um pequeno compartimento da sua vida que não se sobreporá a nenhum dos outros. A questão é: como?

Eu não nasci pra ser exemplo

Por que você ainda vive preso a um estilo de vida que não te define?

Mudaram as estações, nada mudou. Depois da era do amor livre, dos hippies e do movimento feminista, a sociedade ainda continua muito clara quanto ao que espera de nós.

Seja um bom aluno, passe no vestibular, entre na universidade, consiga um bom estágio, depois um bom emprego, namore, case – no papel e na igreja – e tenha filhos. Compre uma casa, almoce com a família aos domingos, tenha o carro do ano e um bom plano de saúde.

Nesse meio tempo, trabalhe dez horas por dia para sustentar parasitas: pague em dia o dízimo, os impostos e o carnê do carro. Consuma cada vez mais e tenha cada vez menos: menos tempo, menos saúde e menos vontade própria. Sua vida é perfeita, o que mais você pode querer? E trabalhe até a morte, pois o trabalho dignifica o homem (com o tanto que você bebe e fuma, dificilmente chegará à a aposentadoria, mas quem se importa? Um “vagabundo” a menos para onerar a Previdência Social).

Por que diabos tem que ser assim?

E se eu quiser largar tudo pra viajar o mundo, viver de fotografia ou trocar trabalho por hospedagem e comida? E se eu resolver investir no esporte que sempre amei em vez de passar a vida de terno e gravata? E se eu preferir um relacionamento sem rótulos que me faça bem, ou até mesmo relacionamento nenhum? Qual o problema?

A igualdade da maneira como está na Constituição não existe. Somos todos diferentes, com diferentes sonhos, aspirações, desejos. Por que então temos que seguir o mesmo script?

Resposta: não temos. Mas é preciso coragem para abandonar o que a sociedade quer de nós e descobrir o que nós queremos da vida.

(Publicado originalmente em Puta Letra)

Do que você precisa para ser feliz?

De uns meses pra cá, tenho lido muita coisa sobre vida minimalista e percebi quantas coisas inúteis acumulamos diariamente. Quem não tem mania de comprar cinco camisetas de cores diferentes do modelo que gostou, trocar de celular todo ano, ter quatro utensílios de cozinha com a mesma função, dez calças jeans ou vinte jogos de cama?

Pare e pense: você precisa de tudo isso? Você USA tudo isso?

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Você é “boazinha” demais?

Muita gente acha que ser “boazinha” (ou “bonzinho”, whatever) é uma virtude, que doar-se completamente sem esperar (nem receber) nada em troca é o caminho para a luz. Pode ser para os santos e os mártires, mas para nós, meros mortais, não é bem assim.

Na maioria das situações, quanto mais “boazinha” for, mais você se torna capacho dos outros.

Quer ver?

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O dia em que eu desisti

Fomos criados para sermos vencedores o tempo todo. Desde a época da escola, o importante é ser o melhor da sala, vencer o campeonato de futebol, colecionar medalhas na natação. Aí chega a época do vestibular e nossos pais nos empurram para a carreira que paga melhor. Depois, vem o mestrado, doutorado, MBA… enquanto a vida real passa em brancas nuvens. E nós nos tornamos a triste geração que virou escrava da própria carreira.

Senti isso na pele. Escolhi a faculdade de Direito por livre e espontânea pressão, e quando encasquetei que eu queria ser Promotora ouvi do meu pai que era burrice, porque advogado ganha cem mil reais por mês. Ou Desembargadora. Ou Ministra do STF.

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